Fomes e fomes

Mordia.
Dias comidos por atribulações,
dias engasgados, mastigados.
Fatigada fico com tanta esganação.

Mordido
o tempo esquecido
nos pneus lambendo asfalto,
no cansaço dos olhos secos

e famintos por uma lágrima
sofrida, que fosse das escondidas,
ardidas
alguma só que botasse o suor das
horas perdidas.

Mordida
tal qual carne viva e exposta,
vejo-me contraída num mundo-sangue,
mundo-cão, nas pressas que não sei
e sempre estão a perturbar a orientação

desta que fala em errôneas palavras,
rimas, ironias, paixões.

Dia infernal, e neste inferno saboreio.
Degusto na satisfação e no prazer
oculto dos presentes inesperados,
das vitórias desacreditadas.

Degusto a suculenta e apimentada,
da minha e tua carne tirada,

Esta mordida.

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One Response to “Fomes e fomes”

  1. Renato Says:

    Nhac!

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