Fomes e fomes
Mordia.
Dias comidos por atribulações,
dias engasgados, mastigados.
Fatigada fico com tanta esganação.
Mordido
o tempo esquecido
nos pneus lambendo asfalto,
no cansaço dos olhos secos
e famintos por uma lágrima
sofrida, que fosse das escondidas,
ardidas
alguma só que botasse o suor das
horas perdidas.
Mordida
tal qual carne viva e exposta,
vejo-me contraída num mundo-sangue,
mundo-cão, nas pressas que não sei
e sempre estão a perturbar a orientação
desta que fala em errôneas palavras,
rimas, ironias, paixões.
Dia infernal, e neste inferno saboreio.
Degusto na satisfação e no prazer
oculto dos presentes inesperados,
das vitórias desacreditadas.
Degusto a suculenta e apimentada,
da minha e tua carne tirada,
Esta mordida.
July 31, 2009 at 01:27
Nhac!