Sacratus Secretus

Hoje seriam fotos, textos, tudo em branco e preto e com a cor mais plena, mais íntima de todos os tempos. Mas esta cor tão minha é sagrada. Secretamente, espalhei cores pelos ventos em que passei, levei em silêncio essa jura que fiz. Então fica tudo latente, guardado, gravado nas fotografias que não tirei, as palavras que não ousei pronunciar. Pode-se dizer sequer houve, afinal é tão meu que será mentira fora de mim. Entendes? Se ponho tudo isto assim, profanado será este segredo. Imagens serão falsas disto que me veio de fora para dentro, mas é meu, pois o mundo o rejeitou. Imagens, palavras, não posso, não consigo. Mas de alguma forma, sou pouco confiável. E se o véu do esquecimento envolver o meu silêncio, pois me previno: escrevo o vestígio, o topor, escrevo sinal disto que não digo, não minto, não volta. Mas já disse a quem compartilhou um gesto singelo, disse a quem olhou de perto algo deste tudo. Tudo. Eles secretamente notaram.
Há pó de minha verdade correndo novos ventos.

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One Response to “Sacratus Secretus”

  1. Renato Says:

    Tem coisa que a gente constrói junto e não precisa de mostrar pra ninguém, que é só nossa, eternamente, e que muda a gente, e que deixa diferente o modo de agir, e que nos faz, colocando cada pingo de I que falta, nos completando devagar. As vezes tem coisa que só faz sentido mesmo porque se faz junto.

    Amoramoras de aquarela.

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